Em meio a polêmicas, Príncipe Harry deixa conselho de organização de conservação ambiental
24 agosto 2026
© SUSSEX.COMHá anos, a Survival International vem pedindo que o príncipe Harry do Reino Unido renuncie a seu cargo na organização ambientalista African Parks. Ele finalmente renunciou.
Agora, o African Parks precisa, finalmente, abandonar o modelo colonial de conservação ambiental que ela, e organizações como o World Wildlife Fund (WWF) e a Wildlife Conservation Society (WCS), vem utilizando e promovendo há décadas.
“É revoltante que, durante 10 anos, o príncipe Harry tenha trabalhado com o African Parks enquanto a organização era responsável por abusos e casos de violência contra os povos indígenas”, afirmou Caroline Pearce, diretora da Survival International. “Sua saída não apaga esse histórico — o próprio African Parks deve agora ser responsabilizado e abandonar de vez esse modelo colonial de conservação ambiental’.”
O povo Baka, no Parque Nacional de Odzala-Kokoua, sofreu violentos abusos por parte dos guardas florestais do African Parks — conforme mostrou uma investigação encomendada pela própria organização. Homens e mulheres Baka foram espancados, torturados e estuprados no Parque Nacional de Odzala-Kokoua, na República do Congo, por guardas florestais que são gerenciados e remunerados pelo African Parks.
A organização de conservação ambiental se recusa a divulgar o relatório elaborado pelo escritório de advocacia Omnia Strategy LLP — mesmo tendo admitido que ocorreram várias violações, afirmando em um comunicado: “O African Parks reconhece que, em alguns incidentes, ocorreram violações de direitos humanos”. O African Parks também se recusou a divulgar o relatório aos seus financiadores — incluindo os da União Europeia.
Há muitos anos, o African Parks estava ciente das violações. Mas foi somente depois que a Survival apresentou uma reclamação ao príncipe Harry que a organização finalmente encomendou a investigação.
Os Baka e outros povos indígenas estão reagindo — mesmo enquanto continuam sofrendo as consequências dessa violência. Juntamente com a Survival, eles estão trabalhando para acabar com esse modelo colonial de conservação ambiental, que se baseia no roubo de terras indígenas, imposto pela violência.
Um homem Baka disse à Survival em maio: “A maneira como o African Parks nos trata aqui é violenta. Eles não resolveram os problemas que criaram aqui. Eles estão mentindo para vocês. O African Parks não resolveu nada para os Baka. Pelo contrário, querem nos fazer desaparecer.”
A Survival está protegendo a identidade da testemunha para evitar retaliações, já que os Baka continuam sofrendo abusos por parte dos guardas florestais do African Parks, ao mesmo tempo em que é negado o acesso dos indígenas às suas próprias terras.
O príncipe Harry atuou no African Parks por 10 anos. Seis anos como presidente e os últimos quatro como membro do conselho de diretores. Em maio, ele participou do evento “Conservação em Grande Escala do African Parks”, nos Estados Unidos, para arrecadar um bilhão de dólares para projetos de conservação ambiental baseados neste modelo colonial.
A menos que o African Parks abandone sua forma abusiva e militarizada de conservação, o povo Baka será destruído como nação. Os povos indígenas sabem como administrar suas terras melhor do que ninguém. A ideia de que pessoas de fora sabem proteger melhor terras indígenas é racista e colonialista e deve ser relegada às páginas de livros de história.



