Indígenas desfilam no Carnaval do Rio por seus direitos

Cacique Raoni e lideranças indígenas do Xingu desfilam no Carnaval do Rio 2017

Cacique Raoni e lideranças indígenas do Xingu desfilam no Carnaval do Rio 2017
© Rodrigo Gorosito/G1

Indígenas brasileiros desfilaram ontem na Sapucaí dando visibilidade à luta por suas terras e às ameaças constantes que sofrem.

O desfile dos indígenas foi parte do samba enredo “Xingu, o clamor que vem da floresta” da Imperatriz Leopoldinense no Carnaval 2017 do Rio de Janeiro, e contou com a presença de 17 lideranças indígenas como o renomado Cacique Raoni do povo Kayapó.

A letra do samba gerou polêmica e causou ira em setores do agronegócio por homenagear os povos indígenas do país e expor as ameaças vividas por estes desde o início da colonização do Brasil, criticando o contínuo roubo de terras indígenas e a devastação da natureza feitos em nome do “progresso.” As críticas à controversa hidrelétrica de Belo Monte e às ameaças sofridas pelos indígenas levaram inclusive a declarações racistas feitas por uma apresentadora da TV Record que afirmou que indígenas vão “ter que morrer de malária.”

Indígenas do Xingu apoiam o samba enredo da escola Imperatriz Leopoldinense, Carnaval 2017

Indígenas do Xingu apoiam o samba enredo da escola Imperatriz Leopoldinense, Carnaval 2017
© Imperatriz Leopoldinense

Sonia Guajajara disse: “Obrigado à escola por nos dar um elemento a mais para a luta, em um momento em que enfrentamos alianças políticas e econômicas poderosas. O Carnaval pode politizar o debate e fortalecer a luta dos povos indígenas.”

O incômodo do agronegócio com a letra ocorre em meio a um agravamento dos ataques aos povos indígenas no país, tanto no campo com o aumento da violência, quanto no Congresso com o enfraquecimento contínuo da FUNAI e projetos de lei que visam dificultar o reconhecimento de terras e enfraquecer os direitos arduamente conquistados pelos indígenas. Essas propostas, caso implementadas, seriam desastrosas para tribos ao redor do país e estão sendo rejeitadas por indígenas e seus aliados, inclusive apoiadores da Survival ao redor do mundo.

Babau Tupinambá, líder indígena, disse: “Os povos indígenas não vão parar de lutar pelo seu direito. Nenhum povo vai desistir de lutar para existir. Já ocupamos nossa terra, vivemos o tempo todo aqui, nunca saímos.”

Ao redor do planeta, sociedades industrializadas submetem os povos indígenas a violência genocida, escravidão e racismo para que possam roubar suas terras, recursos e mão-de-obra em nome de “progresso” e “civilização.” O roubo de terras indígenas destrói povos autossustentáveis e seus modos diversos de vida. Causa doenças, miséria e suicídio. As evidências são incontestáveis.