Membros de uma família Ayoreo contatada em 2004.

Membros de uma família Ayoreo contatada em 2004. © GAT 2004

A principal iniciativa de negócio da ONU está sendo utilizada como uma ferramenta para mascarar abusos dos direitos humanos, de acordo com os índios Ayoreo do Paraguai.


Os líderes da tribo, da qual alguns membros ainda estão isolados, escreveram para o Pacto Global da ONU advertindo que eles estão ‘preocupados e frustrados’ com a inclusão de uma controversa empresa de pecuária brasileira.


A empresa, Yaguarete Porá, foi acusada e multada por desmatamento ilegal da floresta dos Ayoreo, e por esconder evidências da presença de Ayoreo isolados no território. Os Ayoreo pediram para que a empresa seja expulsa do Pacto Global.


O Pacto Global das Nações Unidas foi concebido para as empresas ‘comprometidas em alinhar suas operações com dez princípios universalmente aceitos’, incluindo o respeito pelos direitos humanos e ambientais. 



Na sua resposta, o Pacto Global admitiu que não tem ‘nem os recursos nem o mandato para conduzir investigações em qualquer de nossos participantes’.



Yaguarete Porá ganhou o ‘Prêmio Greenwashing’ da Survival International em 2010 por ‘mascarar a destruição maciça de uma enorme área de floresta dos índios como se fosse um gesto nobre para a conservação’.


Enquanto alguns Ayoreo foram contatados por missionários, alguns permanecem escondidos na floresta. Mas a sua terra está sendo rapidamente destruída para abrir caminho para a criação de gado.

Yaguarete enfureceu os Ayoreo, ao promover a sua inclusão no Pacto Global da ONU em seu site. Os índios acreditam que isto promove uma falsa imagem de responsabilidade corporativa.


O diretor da Survival International, Stephen Corry, disse hoje: ‘Isto faz um escárnio total do Pacto Global da ONU. Se a ONU não assegura que as empresas que exibem seu logotipo respeitam as regras, tais iniciativas perdem todo seu sentido. Yaguarete deve ser forçada a deixar o pacto imediatamente.’