Genocídio: garimpeiros "massacram" indígenas isolados na Amazônia
8 setembro 2017
© FUNAIO Ministério Público Federal do Amazonas está investigando uma denúncia de que garimpeiros ilegais no rio Jandiatuba, na Amazônia, massacraram “mais de dez” membros de um povo isolado. Caso confirmado, isso significa que até um quinto de um povo inteiro pode ter sido exterminado.
Dois garimpeiros foram presos.
As mortes ocorreram, supostamente, no mês passado na região do rio Jandiatuba dentro do território indígena Vale do Javari, mas a notícia foi revelada apenas após os garimpeiros se vangloriarem das mortes, mostrando “troféus” na cidade mais próxima.
Sertanistas da FUNAI confirmaram os detalhes do ataque à Survival International. Acredita-se que mulheres e crianças estão entre os mortos. A FUNAI e o Ministério Público Federal estão investigando atualmente.
A área é conhecida como a Fronteira Isolada Amazônica, pois é lar para mais povos isolados do que em qualquer outro lugar no mundo.
Diversas equipes do governo que protegem territórios de indígenas isolados tiveram seu orçamento reduzido pelo governo brasileiro, e diversas bases de proteção tiveram que ser fechadas.
© G.Miranda/FUNAI/Survival
O governo do Presidente Temer é extremamente anti-indígena, e possui laços fortes com a poderosa bancada ruralista.
Os territórios de outros dois povos isolados vulneráveis – os Kawahiva e os Piripkura – também foram supostamente invadidos. Ambos estão cercados por centenas de fazendeiros e invasores.
Os povos isolados são os mais vulneráveis do planeta. No entanto, quando seus direitos são respeitados, eles continuam a prosperar.
Todos os povos isolados enfrentam uma catástrofe, a não ser que suas terras sejam protegidas. A Survival International está fazendo tudo o que pode para garanti-las a esses povos e dar-lhes a oportunidade de determinar seus próprios futuros.
O diretor da Survival International, Stephen Corry, disse: “Caso tais relatos sejam confirmados, o Presidente Temer e seu governo possuem uma grande responsabilidade por este ataque genocida. O corte no orçamento da FUNAI deixou dezenas de povos isolados sem defesa contra milhares de invasores – garimpeiros, fazendeiros e madeireiros – que estão desesperados para roubar e pilhar suas terras. Todos estes povos deveriam ter tido suas terras devidamente reconhecidas e protegidas há anos – o apoio aberto do governo àqueles que querem abrir territórios indígenas é extremamente vergonhoso, e este suposto massacre poderia ter sido, e foi, previsto.



