A Survival tem feito campanhas pelos direitos dos Arara há décadas.

A Survival tem feito campanhas pelos direitos dos Arara há décadas.

© John Miles/Survival

Um pequeno grupo de indígenas da Amazônia está comemorando sua conquista após sua jornada de 30 anos para proteger suas terras dos milhares de colonos e madeireiros ilegais.

A Presidente do Brasil assinou o decreto estabelecendo a reserva da tribo Arara no início desse mês.

A Survival tem feito campanhas em prol dos Arara desde 1993, e o reconhecimento legal do território era um condicionante da construção da controversa hidrelétrica de Belo Monte no rio Xingu.

Mobu Odo, um líder Arara, disse: “A nossa luta pela demarcação da nossa terra não é de hoje. A gente brigou, lutou por tudo isso. É bom ver a nossa vitória. A homologação ainda não e o fim [do processo de regularização fundiária], agora estamos esperando a desintrusão. Mas a terra já está garantida pra nossa comunidade.”

A luta pela homologação da reserva, conhecida como Cachoeira Seca, começou quando um grupo dos Arara foi primeiramente contatado em 1987. Naquele momento, eles totalizavam apenas 30 pessoas, todos descendentes de uma mulher, chamada Tjibié.

Hoje, o grupo possui cerca de 100 pessoas, mas eles permanecem muito vulneráveis a doenças trazidas pelo grande número de colonos e madeireiros ilegais.

Um grupo maior dos Arara foi contatado na década de 1970, quando o governo construiu a Rodovia Transamazônica através de sua floresta. À medida que colonos começaram a se assentar ao longo da rodovia, os Arara foram perseguidos e assassinados. Eles foram acusados de matarem operários ao tentarem defender sua floresta. Atualmente, sua população totaliza cerca de 250 pessoas.

A Survival lançou sua campanha para os direitos territoriais dos Arara em 1993, quando a BBC exibiu um filme do jornalista George Monbiot “Seus móveis, a vida deles.” Centenas de apoiadores da Survival pressionaram o governo e, dois anos depois, uma grande serraria em Cachoeira Seca foi fechada.

Mas nos últimos anos, Cachoeira Seca teve uma das maiores taxas de desmatamento entre os territórios indígenas no Brasil. De acordo com a FUNAI, existem mais de 1,000 propriedades na reserva, fazendo dos Arara uma minoria em sua própria terra.

As autoridades afirmaram que colonos ilegais serão lentamente removidos e realojados.