Ataque à tribo deixa um morto e pelo menos cinco feridos

O corpo de Clodiodi Aquileu, agente de saúde Guarani morto por pistoleiros, repousa na grama. Brasil, 2016
O corpo de Clodiodi Aquileu, agente de saúde Guarani morto por pistoleiros, repousa na grama. Brasil, 2016

© CIMI

Um grupo de pistoleiros atacou uma comunidade indígena no centro-oeste do Brasil, matando um e ferindo pelo menos outros cinco, incluindo uma criança. É o evento mais recente em uma série de ataques violentos contra os Guarani

O ataque ocorreu ontem (14 de junho) na comunidade Tey’i Jusu. Indígenas Guarani Kaiowá conseguiram filmar o ataque à distância. É possível escutar tiros e gritos na filmagem, e aparenta-se que queimadas foram iniciadas nos campos próximos.

Vídeo: Pistoleiros atacam comunidade Tey’i Jusu

O homem assassinado, Clodiodi Aquileu, era uma agente da saúde, e tinha por volta de 26 anos.

É bem provável que o ataque seja parte dos esforços crescentes dos poderosos ruralistas da região – ligados ao recém empossado governo interino – para despejar ilegalmente os Guarani de sua terra ancestral e intimidá-los com violência genocida e racismo.

No início da semana, a Survival recebeu um áudio através de seu projeto Voz Indígena dos Guarani da comunidade de Pyelito Kue, documentando um ataque por pistoleiros em sua aldeia.

Vídeo: Famílias Guarani reagem ao ataque na comunidade Pyelito Kue

Outra comunidade Guarani na mesma região, conhecida como Apy Ka’y, está sendo ameaçada de despejo após uma retomada da terra liderada pela líder indígena Damiana Cavanha em 2013. Não se sabe ainda se as nove famílias que ali vivem conseguiram manter a terra – que pertence a elas de acordo com o direito brasileiro e internacional – após uma ordem de despejo foi entregue na semana passada.

Ataques contra comunidades Guarani têm se tornado mais comuns desde a criação de um grande território para a tribo pelo então governo de Dilma Rousseff
Ataques contra comunidades Guarani têm se tornado mais comuns desde a criação de um grande território para a tribo pelo então governo de Dilma Rousseff

© Campanha Guarani

Falando no mês passado em visita à Europa para pedir apoio ao seu povo, Tonico Benites Guarani, líder Guarani disse:“Um lento genocídio está acontecendo. Existe uma guerra sendo travada contra nós. Estamos com medo. Eles matam nossos líderes, escondem seus corpos, nos intimidam e nos ameaçam.

“Estamos sempre lutando pela nossa terra. Nossa cultura não permite a violência mas os fazendeiros nos matarão antes de nos devolve-la. Grande parte da terra foi tomada nos anos 60 e 70. Os fazendeiros chegaram e nos expulsaram. A terra é de boa qualidade, com rios e floresta. Atualmente, é muito valiosa."

Nas últimas décadas, os Guarani têm sido sujeitos à violência genocida, escravidão e racismo para que suas terras, recursos e mão-de-obra sejam roubados. Em abril, a Survival lançou sua campanha “Pare o genocídio no Brasil” para expor globalmente essa crise urgente e horrível e dar às tribos brasileiras uma plataforma para falar ao mundo nesse ano Olímpico histórico.

O diretor da Survival, Stephen Corry, disse: “Estamos testemunhando um ataque contínuo e brutal contra os Guarani, e sua intensidade está aumentando. Pessoas poderosas no Brasil estão tentando silenciar os Guarani, os aterrorizando até que eles desistam de suas demandas territoriais. Mas os Guarani ainda assim não desistem. Eles sabem que arriscam suas vidas querendo retornar a suas terras ancestrais, mas a alternativa é tão terrível que eles não têm escolha a não ser enfrentar os pistoleiros e suas balas. O governo interino do Brasil tem que fazer mais para acabar com essa onda de violência. Está levando ao assassinato.”