Amoim Aruká era o último homem sobrevivente do povo Juma.

Amoim Aruká era o último homem sobrevivente do povo Juma.
© Gabriel Uchida

Após um ano da primeira morte de uma indígena por Covid, os povos indígenas do Brasil continuam lutando contra o vírus e por suas vidas.

A primeira indígena a morrer de Covid no Brasil foi a senhora indígena de 87 anos Lusia dos Santos Lobato. Ela faleceu no dia 19 de março, mas somente no dia 24 a Secretaria‌ ‌de‌ ‌Saúde‌ ‌do‌ ‌Estado‌ ‌do‌ ‌Pará confirmou o teste positivo para Covid.

No entanto, o Ministério da Saúde confirmou o primeiro caso de Covid entre indígenas apenas no dia primeiro de abril: uma indígena Kokama de 20 anos.

Segundo a APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) mais de mil indígenas já morreram em decorrência do coronavírus, e mais de 50 mil foram infectados pela doença.

A forma com o presidente Bolsonaro tem administrado a pandemia no país tem causado um aumento dramático de casos. Desde um completo menosprezo pelo vírus até a falta de interesse pela compra da vacina, ele tem agido de modo calculado na disseminação do vírus e contra o combate da pandemia.

Líderes e organizações indígenas têm denunciado a irresponsabilidade do governo brasileiro de lidar com a pandemia.

O Covid-19 tem devastado comunidades indígenas em todo o país, reivindicando vidas de importantes líderes como Aritana Yawalapiti, do povo Yawalapiti, Paulinho Paiakan ,do povo Kayapó, e Aruká, o último homem do povo Juma.

De acordo com dados da COIAB a taxa de mortalidade entre os indígenas da Amazônia é 32% maior que a taxa da população brasileira. E a taxa de infecção chega a ser 34% maior.

Lusia dos Santos Lobato foi a primeira indígena a morrer de Covid-19 no Brasil.

Lusia dos Santos Lobato foi a primeira indígena a morrer de Covid-19 no Brasil.
© Associação Indígena Borari de Alter do Chão

A contaminação por Covid-19 nas comunidades indígenas, que já são desproporcionalmente afetadas por outras doenças, tem acelerado com a invasão ilegal desses territórios.

Madeireiros, garimpeiros e outros invasores ilegais têm se sentido encorajados pela retórica e ações anti-indígenas de Bolsonaro. Eles continuam destruindo as terras e vidas indígenas impunemente.

Depois de grande pressão do movimento indígena, indígenas “aldeados" foram incluídos no grupo prioritário da vacinação que já começou em alguns territórios indígenas. De acordo com dados da SESAI, mais de 280 mil indígenas já receberam a primeira dose da vacina.

Entretanto, indígenas que vivem em cidades e em territórios ainda não demarcados estão excluídos do grupo prioritário para vacinação. Eles continuam expostos, assim como os povos indígenas isolados que não podem ser vacinados e que são os povos mais vulneráveis do planeta.

Em 2020, o indígena Kura Kanamari do Vale do Javari, lar de mais povos indígenas do que qualquer outro lugar do mundo, disse: “O coronavírus se espalhou em todo o Vale do Javari. E isso é pela irresponsabilidade do Estado brasileiro de não fazer seu papel. Isso nos preocupa muito quanto a vida dos nossos parentes [isolados].”

A Survival está trabalhando ao lado de organizações indígenas de todo o país para acabar com o genocídio dos povos indígenas.

Nota: As taxas de mortes e infecções entre os povos indígenas são provavelmente muito mais altas do que mostram as estatísticas oficiais, devido às dificuldades de acesso a muitas comunidades indígenas e aos desafios de relatar os casos às autoridades responsáveis.